
O Homem que vejo cheio de temor, esperança, ansiedade, propósitos, exigências, não é homem; é apenas um embaçado espelho de minha vontade. Eu olho, fazendo, consciente ou inconsciente, essas angustiosas e desnorteantes perguntas: "Será esse sujeito acessível ou soberbo? Será que me respeita? Posso acaso pedir-lhe dinheiro emprestado? Entenderá ele de arte?" Com milhares de perguntas desse tipo olhamos a maioria dos homens com que lidamos. E temo-nos na conta de psicólogos e conhecedores da humanidade, quando, vendo-os através de sua aparência esterna, de seu aspecto, de seu comportamento, logramos explicar aquilo que ou serve ao nosso propósito ou a ele se opõe. Mas essa é uma visão demasiado estreita. E, nesse tipo de psicologia, o lavrador, o mascate, o rábula é superior à maioria dos políticos e letrados.
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