
Mal entrara no Paraíso, Piktor deparou com uma árvore que era a um tempo Homem e Mulher. Piktor saudou a árvore respeitosamente e perguntou:
- Você é a Árvore da Vida ?
Mas quando a Serpente lhe quis responder em lugar da árvore, ele se afastou e seguiu adiante. Olhava para tudo atentamente, tudo lhe agradava tanto! E sentia, nitidamente, que estava na Pátria e na Fonte da Vida.
E novamente viu uma árvore que era a um tempo Sol e Lua.
Piktor Disse:
- Você é a Árvore da Vida?
O Sol acenou com a cabeça e riu e a Lua acenou com a cabeça e sorriu. As mais maravilhosas flores miravam-no, com luzes e cores variegadas., com diversos olhos e rostos. Algumas lhe acenavam e riam, outras lhe acenavam e sorriam, outras nada disso faziam: calavam-se, submersas em si mesmas, como que afogadas no próprio perfume. Uma cantava a canção dos lilases, uma cantava a canção de ninar azul-marinho. Uma das flores tinha grandes olhos azuis, outra fez lembrar seu primeiro amor. Uma tinha o aroma do jardim da sua infância, como a voz da mãe, soava o seu doce perfume. Outra riu para ele, e lhe estendeu uma comprida língua curvilínea e rubra. Ele a lambeu: tinha um sabor forte e silvestre de resina e mel, e também do beijo de uma mulher.
No meio de todas aquelas flores, estava Piktor, cheio de saudade e temerosa alegria. Como se fosse um sino, seu coração batia pesadamente, batia muito: seu desejo ardia saudosamente ansiando pelo desconhecido, pelo magicamente pressentido.
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