Wednesday, July 05, 2006

Transformações - Parte 5



A jovem ouviu um rumor nas folhas da Árvore Piktor, ergueu os olhos para ela e sentiu, com súbita dor no coração, novos pensamentos, novo anseio, novos sonhos agitando-se em seu próprio interior. Atraída por uma força desconhecida, ela se sentou debaixo da árvore, que lhe parecia solitária, solitária e triste, e não obstante, comovente e nobre em sua muda tristesa; a canção de sua copa, em suave sussuro, soava fascinando-a. Ela recostou-se no áspero tronco, sentiu a árvore estremecer fundo, sentiu o mesmo frêmito no próprio coração. O coração lhe doía singularmente, sobre o céu de sua alma deslizavam nuvens, lentamente lágrimas corriam de seus olhos. O que era aquilo? Por que precisava sofrer tanto? Por que o coração anelava rebentar o peito, e fundir-se nela, com ele, o belo solitário?

A árvore estremeceu de leve até as raízes, tão fortemente reunia em si todas as forças vitais, ao encontro da jovem, no ardente desejo de união. Ah, fora ludibriado pela Serpente, exilando-se para sempre, confinando-se solitário em uma árvore! Ah, que cego, que tolo fora! Então não soubera de nada, estivera tão alheio ao segredo da vida? Não, bem que ele o sentira e adivinhara aquela vez, obscuramente - ah, e com tristeza e profunda compreensão pensava ele agora na árvore, que era a um tempo Homem e Mulher!

Chegou um pássaro voando, um pássaro vermelho e verde, um pássaro belo e atrevido chegou voando, em círculo se aproximando. A jovem o viu voar, e de seu bico algo soltar, vermelho e brilhante como sangue, vermelho como fogo; algo que caiu na verde relva e na verde relva brilhava com tanta confiança, sua luz vermelha cortejando tanto, que a jovem se curvou e o objeto vermelho pegou. Era um cristal, era um rubi, e onde quer que este está não pode existir mais escuridão.

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